Rotina que acolhe
Para crianças com TEA, saber o que vem a seguir torna o mundo habitável. A previsibilidade não engessa - dá o chão firme de onde a criança parte para explorar com segurança.
Autismo - TEA
Um espaço para famílias e educadores que convivem com crianças com TEA. Apoio prático e afeto, feito por quem ensina e por quem é mãe de um menino autista.
Guia sobre o TEA
Dos fundamentos do autismo à prática do dia a dia, organizados para você encontrar com calma o que precisa.
Sobre Mari
Sou a Mari - professora e pós-graduanda em Psicopedagogia Clínica e Institucional na UNINOVE. Há anos me dedico a entender como cada criança aprende do seu próprio jeito, e hoje aprofundo esse olhar nos estudos enquanto vivo, todos os dias, a experiência mais próxima do autismo que eu poderia ter.
Em 2019 perdi o meu filho amado, o Artur. Foi atravessando esse luto - e procurando um lugar seguro para os sentimentos que não cabiam em mim - que nasceu O Baú das Emoções, um livro e um projeto que começaram como o meu próprio processo de cura. Ele virou a metáfora que guia este trabalho: toda pessoa guarda dentro de si emoções que ainda não têm nome, e ninguém precisa abrir esse baú sozinho.
Sou também mãe do Gustavo, o Guga, que é autista. É ele quem me ensina o TEA de um jeito que nenhum livro ensinaria. Deste encontro entre o que aprendi na sala de aula e o que vivo em casa nasce tudo o que compartilho aqui.
Recursos práticos
O que mais ajuda quem convive com pessoas com autismo se resume a dois princípios: compaixão e rotina. Aqui estão eles na prática.
Pequenas escolhas que tornam os dias mais previsíveis e seguros.
Para crianças com TEA, saber o que vem a seguir torna o mundo habitável. A previsibilidade não engessa - dá o chão firme de onde a criança parte para explorar com segurança.
Toda criança se comunica, nem sempre com palavras. Observe gestos e olhares, ofereça opções concretas e valide cada tentativa. Apoios visuais ajudam a nomear o que se sente.
Um comportamento difícil costuma ser um pedido de ajuda mal traduzido. Primeiro a pessoa se sente segura; só depois ela consegue aprender qualquer combinado.
Uma crise não é birra, é transbordamento. O que cura é a compaixão e a segurança da rotina, não a cobrança.
Na crise sensorial, cada estímulo extra é mais peso. Reduza luz, som e o número de pessoas por perto. Menos mundo de uma vez já começa a acalmar.
Abaixe a sua voz e o seu corpo, fale pouco e devagar. A pessoa autista espelha o seu estado: a sua serenidade é o primeiro recurso de regulação dela.
Registre o que antecede a crise - sono, fome, barulho, mudança de planos. Esse mapa ajuda a antecipar e prevenir, em vez de só apagar incêndios.
Cada pessoa autista é única. Estas orientações são um ponto de partida e não substituem o acompanhamento de profissionais que conhecem a história da criança.
Contato
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